Para que serve o limiar anaeróbio?

No nosso ultimo texto falamos do VO² Máximo, que nada mais é do que um parâmetro de desempenho físico que nos auxilia na intensidade de treinamento. Mas com os valores de VO²Máximo em mãos, como sei qual intensidade treinar?

Normalmente para atingirmos o VO² Máximo, fazemos um teste chamado ergoespirometria, ou algum teste indireto a ele. Esse teste nos dá um gráfico que representa o nosso comportamento respiratório durante o esforço. Quando estamos fazendo um teste progressivo que aumenta a carga a cada tempo pré-determinado, antes de chegarmos no VO²Máximo, nosso corpo passa por vários processos fisiológicos, sendo dois deles muito importantes para determinarmos a intensidade de treino. São eles os limiares anaeróbicos, ou Limiar I e Limiar II, indicadores de mudança fisiológica no nosso corpo, e podem nos ajudar na determinação da carga de treinamento, além de ajudar a descobri melhoras no desempenho de um atleta. Vale citar que duas pessoas que possuem mesmo VO² Máximo, não possuem necessariamente o mesmo desempenho físico, quanto mais tarde a pessoa atingir seus limiares nos testes, provavelmente mais econômico é seu desempenho, e por mais tempo ele se manterá. Assim, quando comparamos duas pessoas de mesmo VO²Máximo, quanto mais tarde seu limiar, melhor seu desempenho.

O primeiro limiar trata-se do momento em que nosso corpo começa a ficar acidótico, ou começa a acumular ácido lático, porém nosso corpo possui uma defesa para que esse acumulo de ácido possa ser controlado e não gerar fadiga. Esse ponto de inicio de acumulo de ácido e combate do mesmo gera um aumento no volume de oxigênio que respiramos e aumento na acidose do corpo, chamamos isso de Limiar I. Podemos classificar esse ponto como a divisão entre o exercício leve, antes do ácido, e o moderado, após o ácido. Na continuação de um teste ou de uma prova, chega um momento em que a defesa do corpo não é mais suficiente para controlar o acumulo de ácido no corpo, e é ativada uma segunda ação fisiológica perceptível mesmo sem nenhum teste, é a hiperventilação, ao passarmos desse ponto é provável que a pessoa não aguente mais muito tempo de exercício naquela intensidade, chamamos isso de Limiar II, ou divisa entre exercício moderado e intenso.

Um teste ergoespirométrico nem sempre é viável para o dia-a-dia de um técnico que precisa controlar seus atletas constantemente, então é comum observarmos técnicos utilizando-se do teste de lactato, já que, como vimos, ao chegarmos nesses pontos de limiares o corpo fica mais ácido, liberando lactato na corrente sanguínea sendo assim, facilmente percebido pelo equipamento de medição.

Sendo assim, a identificação dos limiares se torna fator importantíssimo para o controle da intensidade de um treino, e assim, melhora nos seus resultados.

Referências

Determinação dos eventos fisiológicos no exercício progressivo máximo – Vitor Oliveira Carvalho e Guilherme Veiga Guimarães – Diálogos e Ciência

Ergoespirometria. Teste de Esforço Cardiopulmonar, Metodologia e Interpretação - Paulo Yazbek Jr, Ricardo Tavares de Carvalho, Lívia Maria dos Santos Sabbag, Linamara Rizzo Battistella

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